Sunday, September 21, 2008

SUPERNOVA

Me lembro daquela época em que éramos tão belos
e achávamos que o presente era a eternidade
caminhávamos despreocupados pela chuva fina que caía
nada nos impedia

eu queria te proteger, mas você não deixou
dizia que odiava isso
eu queria servir com devoção
você só queria minha simples companhia

juntos brincávamos de coisas proibidas
juntos sobrevoávamos a cidade
juntos nos despediámos

quando chegou o entardecer
eu disse que não gostava
o crepúsculo vespertino me asfixiava

quando se sentia em perigo
você apertava forte minha mão

mas a noite chegou, como sempre chega
as estrelas e a lua reluziam de maneira única

dizem que elas sempre brilham mais antes de se apagar completamente

água e sangue transbordavam
de maneira inevitável

você dizia adeus mas continuava ali
no desespero eu tentava te segurar
mas como impedir algo de partir
quando ela permanece?

na madrugada eu vaguei pelas ruas sozinho
não encontrava o caminho de volta
eu chorava como um menino de joelho esfolado

de repente o sol já brilhava
e o céu exibia seu azul
e eu, retornei pra viver mais um dia...